sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Subiu no púlpito com a garganta seca e reverteres no bucho. Vestiu-se com uma de suas melhores e  ludibriosas faces; um misto de bondade de vovó e olhar de raposa. Viu a sua frente um mar de gente besta, abestada. Riu-se consigo daquele povo, enquanto todos gritaram e o aplaudiram;  lembrou-se de manadas guiadas por berrante. O Molusco riu-se de novo. Ao ver toda aquela gente o exaltando, mal pode segurar o riso de desprezo; no entanto, conseguiu, a tempo, transformá-lo em um largo e acolhedor sorriso - Imagine um espelho mágico capaz de mostrar o verdadeiro "eu"; você não iria gostar do que apareceria para o octopoide. 

Ah! E como ele adorava o rebanho. Deliciava-se com aquela idolatria ilimitada. Embora, capaz de sentir algum desprezo às vezes, lembrava-se da importância dessa insuspeição absoluta e amava-os mais ainda pelo controle exercido. "Massa de anencéfalos ignorantes", repetia constantemente. E o segredo era tão simples, beirava o ridículo: era apenas prometer tudo; realizar pouco; e convencê-los que era o seu único defensor ; e acima de tudo, fazia-os acreditar no seu amor.

Quando finalmente os olhou só conseguiu pensar "vamos, bois de carga, tenho trabalho para vocês". Contudo, apenas saiu da boca, em um som chiado, de jargões simples, as palavras mais enganosas já criadas: 
    - Companheiros e companheiras, vamos a luta! E unidos, levantar a bandeira dos trabalhadores.

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