sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Eis que o vejo sorrindo. Através do espelho d'água de seus olhos, afogo-me de tristeza por suas alegrias. Suas histórias não são as minhas, Sua felicidade contagiante me arde a alma em intensidade que apenas meu ódio é capaz de apaziguar. E como eu o odeio. A sua liberdade é minha prisão, e como um animal que rasteja na escuridão tento alcançar suas asas. Acuado, entro em desespero. Atiço seus mais sombrios desejos para nada. Eu o odeio! Não aguento essa loucura. Quero gritar socar dançar sorrir caminhar sentir algo além dessa ardência das correntes na minha pele. Grito o mais alto, forço o mais longe que posso. Inutilmente tento alcançá-lo. Não existo mais do que um fantasma. Ridículo. Mas, como um vírus vou ficando mais forte. Adiantará nada me negar. Estou acorrentado a ele e ele a mim. E haverá um dia que as alegrias dele serão as minhas e quando olhar no espelho saberei que ele estará me olhando de volta.

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