domingo, 6 de novembro de 2016

De onde vêm os gênios? | Nerdologia 183

O que dá a validez a seu ensinamento é ser ele próprio (O. M. G.) um dos nossos escritores mais seguros, mais eficientes, avesso por natureza e por bom gosto à eloquência oca, à afetação retórica, à exuberância léxica, ao fraseado bonito, em suma, a todos os requintes estilísticos hedonistas e sibaríticos que com mais frequência  falseiam a expressão das ideias do que contribuem para sua fidedignidade. (Comentários à Comunicação em Prosa Moderna de Othon M. Garcia)
 valorização abusiva, que visa uma sedução dos leitores, uma grandiloquência por parte dos escritores, ou seja, qualquer atenção direcionado além do necessário, só causa viés de compreensão.

O pensador escritor transmite à sua obra sua paixão pelo assunto e a eleva ao nível de objeto da investigação, distraindo-o do objetivo científico. O valor passa a ditar a investigação e direciona o entendimento.  O pensador é o admirador que traduz em suas obras sua paixão; enchendo-as de glamour e adereços. Ele é guiado por sua admiração.
Nosso material de estudos é o discurso. O discurso está para nós, filósofos, o que o cálculo está para a matemática. Ele é o nosso meio de investigação e o nosso objeto. Dito isso, conhecer grandes obras literárias é no minimo uma obrigação para compreender melhor a comunicação na nossa língua. Ler João Guimarães Rosa, ou Machado de Assis, passa a ser uma obrigação. E que deliciosa obrigação!
Ariano Suassuna, em uma de suas palestras, disse: se eu chamo Chimbinha de gênio, o que vou usar para falar de Beethoven? 
Transmitir conteúdo por meio da língua é uma tarefa problemática, mas necessária. Transmitir livre de paixões? Ah! Isso é uma outra história.

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Aos adultos, a liberdade é um valor absoluto
 ou é também uma questão de grau?

O direito de ser livre pode ser tanto uma ação ilimitada, quanto limitada. A definição dependerá de uma questão subjetiva, apenas. Liberdade deixa de possuir características imateriais e supremas, e passar a ter caraterísticas éticas, ou seja, de escolhas.

O ser humano e sua consciência são livres na medida que sua compreensão do mundo aumenta. Cada indivíduo evolui ao seu tempo. Não dá para conhecer alguém sem viver o que ele vive. 

Compreender é ser livre, Contudo, a compreensão é subjetiva. Não se pode esperar de um ser limitado um ilimitação de suas escolhas e ações; é impossível tartaruga subir em árvore; se lá ela está, por si só é que não foi parar.

O limite está no homem, sua educação e na humildade frente ao mundo.

quarta-feira, 5 de outubro de 2016


Um Lugar

  Fim de tarde; o sol encontra-se com seu leito. O crepúsculo pálido traduz os efeitos do cotidiano na alma. Cronos vai cobrando sua divida; O grande vilão dos aflitos é implacável. 
 O fardo de Atlas ataca constantemente; não há escapatória. Mas, graças a Pandora, nada está perdido. Existe um lugar de tranquilidade. Dizem as histórias que ele está mais perto que nunca.
  Basta olhar para si, no mais isolado lugar da mente; seu próprio campos Elísios. É só girar a roda da consciência e voltar-se para si e lá estará o seu templo interior.
  Vejo, do alto do vale, uma cachoeira de águas cristalinas caindo, continuamente, monotonamente, em um luga que traduz a pureza da alma infantil que todos possuem.
  A praia é acariciada por águas frias e pacíficas. Um carinho que nunca acaba; um puro afeto. A alguns metros de distância, uma formação antiga, feito de madeira e lenços, traduz a paz que os antigos orientais ensinaram e só os elevados alcançaram.
  E no centro um tapete circular; o centro do meu universo. É só fechar os olhos, e em mim, encontrar-me. Longe do mundo, longe dos titãs.

domingo, 2 de outubro de 2016

Estava aqui, eu e minhas barbas, meditando a procura de ideias para uma publicação que fizesse jus a minha paixão por essa amada sabedoria. Hoje é domingo de Faustão; Fantástico; domingo de futebol; e eu só consigo pensar em filosofia: em ler sobre, falar sobre, aprender sobre.
Me perguntaram o porquê de estudar filosofia em contraponto à cultura brasiliense de concurseiros, concursandos e concursados. Ora, eu gosto, amo e adoro. O porquê está ali mesmo. O motivo e a razão é por ela mesma maravilhosa. Ganhar depois, para quê? Meu ganho é agora, imediato. Pode parecer piegas, não ligo. Meus amores sãos os livros.
É imensa a distância entre o livro impresso e o livro lido, entre o livro lido e o livro compreendido, assimilado, sabido! - Bachelard
Bachelard é topper. Esta aqui uma gíria que faz justiça. Assumo, roubei-a de uma colega, não sou pessoa de gírias, mas nada me parecia tão ótimo. Filosofia é se apaixonar todo dia, toda hora. Em cada livro, página, linha. Não atoa a sigla PhD - Philosophiae Doctor - ser o último e mais alto nível acadêmico a se obter. 
Mesmo na mente lúcida, há zonas obscuras, cavernas onde ainda vivem sombras. Mesmo no novo homem, permanecem vestígios do homem velho. - Bachelard
Levantai-vos, filósofos. Unir-nos, nossa amada está em risco. Grandes Espíritos, é chegada a hora de mostrar nosso valor.  

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

A cultura pop na sala de aula

No primeiro contato que tive em uma sala de aula, como professor, me veio a lembrança do que eu e meus colegas pensávamos das aulas de filosofia. Sempre nos perguntávamos a real necessidade de estudar o que foi dito por alguém seculos antes. Passei boa parte do meu ensino médio fazendo chacota do professor, seja desrespeitando-o, ou até mesmo desrespeitando a filosofia.
Contudo, em 2005 ocorreu a estréia do filme V de Vingança. Foi quando algo mudou. A obra me intrigou mais do que esperava, me tirou da posição confortável a qual estava acostumado. O intrigante personagem V, que desafia a ordem vigente, e instiga a pensar por si, a morrer por uma ideia. Ta bom, admito; é muito romantizado, mas é ai o porquê do título.
São obras como essa, Matrix, Mundo de Sofia, a HQ Sandman, etc, que permite crianças, com um preconceito injusto da filosofia, possam conhecer essa ciência. Um grande mal permanece na sociedade, em casa, com os amigos, que diz que filosofia a nada serve. Ou pior, que é para fazer miçangas. E a arte pop é uma forte aliada para ajudar na mudança do paradigma.
É extremamente importante entender e estar em contato com o mundo onde os alunos estão inseridos. Mostrar que a Filosofia esta inserida no cotidiano, fazê-los compreender o reflexo na atualidade de algo dito a milhares de anos, é um grande desafio. E o pop é um forte aliado. Graças a ele pude entrar nesse mundo que tanto gosto. Nessa philosophia.
Lucian Freitas
14224785_10154278787301294_1594777567660378842_n1

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Preacher e a mentira Cristã.

Chegou ao fim a primeira temporada de Preacher. E com ela a mentira cristã. Não se preocupem, não haverá spoiler. Apenas um comentário rápido.

Para quem não conhece, Preacher é um seriado baseado na HQ de homônima. Conta a historia de Jesse Custer, um pastor de uma pequena cidade no sul dos EUA. Jesse é possuído por um entidade sinistra chamada Genesis, meio anjo e meio demônio, filho desses dois opostos; mas não se iludam, ela não é o daemon que Diotima apresentou ao Sócrates. 

Voltando ao último episódio. Jesse acredita que pode entrar em contato com Deus; você leu direito, Deus em pessoa(adoro quando seriados fazem isso), enfim; com um telefone que faz ligação direta ao céu, e com a igreja lotada, Deus aparece. De cara já é um tapa na cara, deus de peruca, mais falso que aquilo só a peruca do Zacarias. 

Ao contrário do que o título dessa postagem possa ser entendida. O que aprendi vendo o episódio é que a maior mentira cristã é que: sem o Deus presente, sem a ordem divina, o Homem está fadado a auto destruição. MENTIRA!!! Maior balela já inventada na história humana. O Homem é seu maior deus, e até a bíblia concorda comigo, não irei dizer o versículo e etc porque desconheço de memória(me perdoem, faltam a escola dominical). Mas ela diz: Deus está em vós.(algo assim.)

O espirito do homem é capaz de coisas maravilhosas, e maldosas também. Mas ele é capaz de Ser. O mundo não aguenta mais senhores da razão, ideias heroicas que iram salvar o planeta e nossa espécie. Somos nós mesmos capazes disso, é só olharmos para nossa própria Humanidade. Não existe salvação quando não há perigo. A mentira é essa: cremos que existe um mal, e assim um bem que irá nos salvar. Idiota pensar assim; pegue seu destino com força, com raiva, e não o solte, jamais! 

A visão do entendimento inaugurará quando a do orgulho começar a decair.

domingo, 31 de julho de 2016

William Stoner, um figura de pedra.

Will Stoner é um personagem literário de John Williams, criado numa época em que um personagem tao passivo não faria tanto sucesso. A obra, Stoner, vai de encontro às grandes emoções da vida. Nos é apresentado uma figura apática, e sem graça muitas vezes. Mas também percebemos uma sobriedade no meio de uma sociedade hipócrita. 

Filho de fazendeiro, Will só tinha uma perspectiva na vida: sobreviver na fazenda da família. Trabalhar todos os dias na terra, um dia após o outro, encarando a terra dura. Na juventude é enviado para a faculdade de Columbia, EUA, estudar Ciências Agrárias. No entanto, em uma matéria obrigatória, o mundo do Will vira de cabeça a baixo. 

É num curso de Introdução a Literatura Inglesa que descobre o amor. Com sua alma abalada, tocada pelos versos de Shakespeare, Will descobre sua verdadeira paixão e destino. E assim os anos passam; ele se casa e vira professor da Universidade. Simples como sua vida, a morte veio, sem surpresas.

Will é um dos melhores exemplos de estoico que encontrei na literatura. Para os desavisados, estoicismo é uma postura ética perante a vida. Não se abala, imperturbável; uma postura resignada perante as emoções e as surpresas da vida. Estoicismo teve seu auge em Roma e influenciou bastante a moral cristã. O estoico é uma pedra a rolar.

E a obra sobre Will mostra com uma perfeição tão grande, que as vezes imploramos em um grito desesperado no nosso amago alguma atitude desse Sábio de pedra. De alma forte e face serena, Will é um lago em que na superfície nada nos mostra, mas no fundo há uma riqueza de detalhes. O livro é angustiante para as almas aventureiras, e para as mais tranquilas é um deleite. Ambos devem ler, sentir, e assim como o Will, deixar ir. Like a rolling stone. 


terça-feira, 12 de julho de 2016

As Relíquias da Morte

Para os não familiarizados com o título: corra! Vá ler a Obra da J. K. Rowling. Anda. Já foi? kkkkk

O título da postagem é o mesmo do sétimo e ultimo livro da obra. Ele se refere a três itens mágicos que supõem-se que unidos, o possuidor, superaria a Morte. A história é mais ou menos assim: três irmãos caminhando se deparam com a morte. Esta diz que eles a enganaram, e, ardilosa como ela é, ofereceu um desejo a cada irmão. O primeiro escolheu a Varinha das Varinhas, de imenso poder. O do meio escolheu a Pedra da Ressurreição, e o mais novo a Capa da Invisibilidade. O primeiro contou vantagem, e logo a Morte veio busca-lo. O segundo trouxe a amada de volta e percebendo a tristeza nela, se matou. O mais novo se escondeu na capa e teve uma vida plena e feliz; só se revelando já idoso.

Cada item representa, ao meu ver, um defeito do espirito humano; o que torna a vida mais triste e feia. Tirando o último, e vou dizer o por que. A varinha possui um grande poder e apenas um arrogante pediria por ela, achando que ser o mais poderoso subjugaria o destino. A arrogância foi a sua destruição. O do meio, pediu a Pedra para trazer de volta a amada, não respeitando-a; pensando apenas nele. Foi egoísta. O que o levou ao suicídio.  A vaidade é a união da arrogância com o egoismo, e juntas corrompem o espirito dos justos. Já a humildade, na forma da Capa, curam a alma. A humildade transforma a arrogância e o egoismo. Apenas a humildade de espirito faz com que a vida seja bonita, plena e assim aceitar a morte no final. Indo livre e em paz, vencendo a Morte.



quinta-feira, 7 de julho de 2016

Dolores Umbridge e a hipocrisia decadente em Harry Potter

Olá. Para o leitor da obra de J. K. Rowling, o quinto livro é um marco. É nele que a escritora ultrapassa a linha infantil, e a obra cria um universo misto de fantasia e realidade. Ela traz em sua escrita a morte da inocência do  menino-que-sobreviveu.

A repercussão da aventura no Torneio Tribuxo, trouxe sérios problemas à Hogwarts. Com o Ministério da Magia tentando depreciar a imagem de Dumbledore e a de Harry Potter e intervir na Maior Escola de Bruxos do Mundo. Nisso aparece Dolores Umbridge, uma senhora de aspecto baixo e nada especial. Mas é ai que a mágica acontece.

Dolores é uma mulher de meia idade, funcionária do Ministério e foi declarada Alto Inquisidora de Hogwarts. Pessoa sem nenhum traço especial. Nada de espetacular. Usa vestes rosas, com um sorriso cortes no rosto(falsiane).

Impositora de regras, não gosta quando sua autoridade é ameaçada e nem quando as regras são quebradas. Se acha no direito de fazer o que bem entender, SE estiver protegendo "as regras". E isso, na minha humilde opinião é a mais sombria maldade no livro; e, na realidade, mais sombria do que o próprio Lorde das Trevas. 

Uma pessoa que se acha melhor que as outras por seguir as regras; esquece da empatia; da benevolência com o próximo; e, mesmo assim, se acha no direito "divino" de fazer o que bem entende, por ser a guardiã da sociedade "decente". Isso é a maior indecência! 

E nossa amada escritora mostra isso com uma qualidade incrível, mágica. Mostra a decadência que já nos custou muito, e ainda nos maltrata. A divinização das regras só gera hipocrisia, arrogância, preconceitos e maldades disfarçadas de justificativas; justificativas resumidas muito bem nas palavras da personagem "o que Cornélios não vê, Cornélios não sente".


sexta-feira, 17 de junho de 2016

Quando você acredita com todo o seu self em uma verdade absoluta, independentemente de qual, e ainda por cima a baseando em fatos investigados e comprovados ou mesmo na fé, é natural declarar como falsas afirmações contrarias as suas. Afinal, sua verdade transforma as outras em mentira.

A partir dai, quando defende que todas as opiniões devem ser respeitadas, se propaga uma falacia: afinal, como várias coisas podem ser verdades ao mesmo tempo? A não ser que seja na área de física quântica, isso é impossível. 

É até uma cortesia, e atitude de respeito, esse comportamento. Talvez até uma covardia, não sei. Mas quando você impõe isso, acaba por sabotar a sua. É um fato lógico que se a dela pode ser verdade, a sua pode ser falsa. Valendo até mesmo para este que vos fala.

Esse limbo epistemológico acaba por ser uma dualidade de anulação mútua; a existência de uma, destrói a outra. E como viver nessa dubiedade? Ora, com o uso da razão; o bom-sensu. 

E lembre-se sempre: o sábio, é aquele que duvida; o ignorante, afirma; e o prudente, raciocina.