domingo, 31 de julho de 2016

William Stoner, um figura de pedra.

Will Stoner é um personagem literário de John Williams, criado numa época em que um personagem tao passivo não faria tanto sucesso. A obra, Stoner, vai de encontro às grandes emoções da vida. Nos é apresentado uma figura apática, e sem graça muitas vezes. Mas também percebemos uma sobriedade no meio de uma sociedade hipócrita. 

Filho de fazendeiro, Will só tinha uma perspectiva na vida: sobreviver na fazenda da família. Trabalhar todos os dias na terra, um dia após o outro, encarando a terra dura. Na juventude é enviado para a faculdade de Columbia, EUA, estudar Ciências Agrárias. No entanto, em uma matéria obrigatória, o mundo do Will vira de cabeça a baixo. 

É num curso de Introdução a Literatura Inglesa que descobre o amor. Com sua alma abalada, tocada pelos versos de Shakespeare, Will descobre sua verdadeira paixão e destino. E assim os anos passam; ele se casa e vira professor da Universidade. Simples como sua vida, a morte veio, sem surpresas.

Will é um dos melhores exemplos de estoico que encontrei na literatura. Para os desavisados, estoicismo é uma postura ética perante a vida. Não se abala, imperturbável; uma postura resignada perante as emoções e as surpresas da vida. Estoicismo teve seu auge em Roma e influenciou bastante a moral cristã. O estoico é uma pedra a rolar.

E a obra sobre Will mostra com uma perfeição tão grande, que as vezes imploramos em um grito desesperado no nosso amago alguma atitude desse Sábio de pedra. De alma forte e face serena, Will é um lago em que na superfície nada nos mostra, mas no fundo há uma riqueza de detalhes. O livro é angustiante para as almas aventureiras, e para as mais tranquilas é um deleite. Ambos devem ler, sentir, e assim como o Will, deixar ir. Like a rolling stone. 


terça-feira, 12 de julho de 2016

As Relíquias da Morte

Para os não familiarizados com o título: corra! Vá ler a Obra da J. K. Rowling. Anda. Já foi? kkkkk

O título da postagem é o mesmo do sétimo e ultimo livro da obra. Ele se refere a três itens mágicos que supõem-se que unidos, o possuidor, superaria a Morte. A história é mais ou menos assim: três irmãos caminhando se deparam com a morte. Esta diz que eles a enganaram, e, ardilosa como ela é, ofereceu um desejo a cada irmão. O primeiro escolheu a Varinha das Varinhas, de imenso poder. O do meio escolheu a Pedra da Ressurreição, e o mais novo a Capa da Invisibilidade. O primeiro contou vantagem, e logo a Morte veio busca-lo. O segundo trouxe a amada de volta e percebendo a tristeza nela, se matou. O mais novo se escondeu na capa e teve uma vida plena e feliz; só se revelando já idoso.

Cada item representa, ao meu ver, um defeito do espirito humano; o que torna a vida mais triste e feia. Tirando o último, e vou dizer o por que. A varinha possui um grande poder e apenas um arrogante pediria por ela, achando que ser o mais poderoso subjugaria o destino. A arrogância foi a sua destruição. O do meio, pediu a Pedra para trazer de volta a amada, não respeitando-a; pensando apenas nele. Foi egoísta. O que o levou ao suicídio.  A vaidade é a união da arrogância com o egoismo, e juntas corrompem o espirito dos justos. Já a humildade, na forma da Capa, curam a alma. A humildade transforma a arrogância e o egoismo. Apenas a humildade de espirito faz com que a vida seja bonita, plena e assim aceitar a morte no final. Indo livre e em paz, vencendo a Morte.



quinta-feira, 7 de julho de 2016

Dolores Umbridge e a hipocrisia decadente em Harry Potter

Olá. Para o leitor da obra de J. K. Rowling, o quinto livro é um marco. É nele que a escritora ultrapassa a linha infantil, e a obra cria um universo misto de fantasia e realidade. Ela traz em sua escrita a morte da inocência do  menino-que-sobreviveu.

A repercussão da aventura no Torneio Tribuxo, trouxe sérios problemas à Hogwarts. Com o Ministério da Magia tentando depreciar a imagem de Dumbledore e a de Harry Potter e intervir na Maior Escola de Bruxos do Mundo. Nisso aparece Dolores Umbridge, uma senhora de aspecto baixo e nada especial. Mas é ai que a mágica acontece.

Dolores é uma mulher de meia idade, funcionária do Ministério e foi declarada Alto Inquisidora de Hogwarts. Pessoa sem nenhum traço especial. Nada de espetacular. Usa vestes rosas, com um sorriso cortes no rosto(falsiane).

Impositora de regras, não gosta quando sua autoridade é ameaçada e nem quando as regras são quebradas. Se acha no direito de fazer o que bem entender, SE estiver protegendo "as regras". E isso, na minha humilde opinião é a mais sombria maldade no livro; e, na realidade, mais sombria do que o próprio Lorde das Trevas. 

Uma pessoa que se acha melhor que as outras por seguir as regras; esquece da empatia; da benevolência com o próximo; e, mesmo assim, se acha no direito "divino" de fazer o que bem entende, por ser a guardiã da sociedade "decente". Isso é a maior indecência! 

E nossa amada escritora mostra isso com uma qualidade incrível, mágica. Mostra a decadência que já nos custou muito, e ainda nos maltrata. A divinização das regras só gera hipocrisia, arrogância, preconceitos e maldades disfarçadas de justificativas; justificativas resumidas muito bem nas palavras da personagem "o que Cornélios não vê, Cornélios não sente".