quinta-feira, 17 de setembro de 2020

É isto um Homem?

 

Resenha sobre uma pequena parte de um grande livro. Do capítulo nove, do livro a Ordem Mundial, de Kissinger, extrai-se essas particularidades empolgantes e intrigantes.

O fator Humano.

Desde a primeira revolução industrial, a relação entre as criações das imaginações do Homem e ele próprio mudaram a passos cada vez mais largos. A Filosofia há muito procura responder de qual essência se diz ao definir esse sujeito, esse agente transformador. Longe da resolução final da questão, poderíamos usar a definição apresentada pelo próprio Kissinger.

Rastrearam a evolução da sociedade por fatores que tinham sido “semeados na natureza humana”: a capacidade de raciocinar de cada indivíduo, uma aptidão poderosa, ainda que passível de erros, e seu inerente “amor-próprio”, de cuja interação “diferentes opiniões virão a ser formadas”; e a diversidade das capacidades humanas, da qual “resulta imediatamente a posse de diferentes graus e tipos de propriedade” e com elas uma “divisão da sociedade em diferentes interesses e partidos”. (KISSINGER, 2015)

A construção conceitual exposta extrai várias características que podem até não resumir e determinar a essência da Humanidade, mas explicita as suas características fundamentais: a capacidade intelectual, com um cérebro possuidor de mais neurônios do que estrelas na Via Láctea; o egoísmo próprio do Ser Humano, que, ao interagir com o Mundo, gera opiniões mutantes; a capacidade de adaptação transformadora, essa força motriz de transformação do espaço; e, por fim, os interesses. Cada característica exposta possui papel fundamental na vida política de uma sociedade. Toda relação é política, que surge pelo interesse, cujo objetivo surge do egoísmo.

A conclusão por essas características surgiu de um mundo diferente do atual. A realidade anterior não é mais a dada, essa atual, a presente a nossa volta. O filtro que antes era analógico, virou digital, a qual não aprendemos a lidar, pois a nossa consciência ainda se encontra programada no nível da realidade falida. Há, portanto, uma dissonância cognitiva, uma convulsão, não apenas cultural, mas também do entendimento do que é real.

Um novo curso se apresenta, com vantagens e desvantagens. Apesar disso, para liderar a transformação em direção a algo que não se identifica, nem temos consciência do que seja, nem nunca estivemos, precisamos entender o lugar em que nos encontramos para, assim, não projetarmos no futuro algo arraigado, familiarizado. Nesse caso, a chave para o sucesso é a Sabedoria.

Em que lugar entra a tecnologia do século 21? A força da internet é no factual, no real, nos valores já existentes, formulados pelo consenso e não pela Sabedoria. Todo o conhecimento, tanto histórico, quanto geográfico, até matemático, não é mais introspectivo. Nós não mais precisamos pensar, basta-nos acessar.

“A atitude mental apropriada para trilhar caminhos políticos solitários pode não parecer óbvia para os que anseiam por confirmação por parte de centenas, às vezes milhares, de amigos no Facebook”. (KISSINGER, 2015)

Trata-se, portanto, de uma atitude mental, e ela, meus amigos, pode ser moldada. Muitos, e o senso comum também, quando enviesado pelo bom senso, dividem o alcance da mente em três categorias: Informação, Conhecimento e Sabedoria. O foco do mundo da informação é ela mesma, a Informação. Banalizou-se a informação. Uma procura rápida já demonstra o que se deseja. Não há atitude mental, a pessoa, nós, perdemos a atividade, o ato de sentar e pensar introspectivamente. Não há processo evolutivo da atitude mental enquanto houver comodismo. O excesso empurra o Conhecimento, afastando ainda mais a Sabedoria.

Com o excesso e a alta facilidade, o foco no Significado diminuiu. Não há mais necessidade de confirmação, logo, um viés confirmatório surge. Aquilo que procuro já é verdade garantida. O resultado é que a manipulação da informação, de como a recepcionamos, substitui a reflexão, que é o principal meio de se transformar. “A informação na ponta dos dedos encoraja uma atitude mental adequada a um pesquisador, mas pode vir a diminuir a atitude mental necessária a um líder”. (KISSINGER, 2015)

O Ser Humano ainda é o ponto central de toda e qualquer forma de transformação no mundo. Precisamos propagar a atitude proativa para uma Sabedoria renascida. Trata-se da percepção da realidade e do nosso alcance no seu seio.  Em tudo, o Ser Humano é responsável pela forma como conduz sua vida e a do próximo. A internet pode aumentar ou diminuir as características apresentadas acima, mas o resultado dependerá apenas das escolhas que fizermos.

sexta-feira, 11 de setembro de 2020

Copa do Brasil

Você sabe o que é Presidencialismo de Coalizão e como isso te afeta? – 

Nada mais é do que a forma como nosso Presidente e o Congresso se relacionam. Como eles negociam para alcançar os objetivos nacionais.

Um tal de Sérgio Abranches, sociólogo, entendeu que nosso Sistema Político funciona de uma maneira própria, um jeito misto de se fazer política. Nosso sistema pega a “representação”,  quando escolhemos em quem votamos, e une com a organização em “grupos”, denominado de Coalizão, para alcançar os objetivos prometidos em campanha.

Difícil? Deixem-me facilitar.

Imagine um time de futebol e um campeonato. Temos um técnico, o nosso Presidente, que possui um plano, sua política de Estado. O campeonato será o nosso Sistema Político Brasileiro. Para vencer no campeonato, o presidente criará um time com jogadores, os partidos aliados. Lateral direita, centroavante, lateral esquerda, goleiro, todos esses “partidos” possuem interesses próprios. Na busca pela vitória, o técnico formará um time diferente para assim conseguir implementar sua estratégia para a vitória, essa estratégia é a sua política estatal. Esse time é a Coligação. Sem essa coligação, o técnico não vence o campeonato.

A cada novo jogo, o técnico refaz a escalação e, durante a partida, faz substituições para melhorar o desempenho do time. O seu time, sua base de apoio, acaba sendo mudado no decorrer do campeonato. Na estratégia para a vitória, o técnico, o nosso Presidente, seguirá os seguintes passos:

1 – Traçará a “constituição da aliança eleitoral”, são os requisitos necessários para adentrar ao time. A composição desse time, dessa aliança, seguirá os princípios criados por essa estratégia.

2 – É a escalação do time propriamente dita. Aqui será dada a função de cada jogador. Distribuição de cargos, funções e trabalhos. O lateral direito trabalhará no Ministério da Justiça, o esquerdo, no Ministério do Trabalho. O objetivo é assegurar os melhores jogadores em cada função.  

3 – Agora o jogo começa. É dado o apito inicial. “Bola em jogo”, já dizia Galvão Bueno. As estratégias estão prontas. Os jogadores sabem suas funções. As políticas governamentais são implementadas para a vitória da política estatal presidencial.

Percebam que sem essa Coligação o País fica ingovernável. O motivo é bem simples: sem a figura central de nosso técnico não teríamos uma forma de coordenação. A forma de governo presidencialista, somada ao estilo parlamentarista do nosso congresso, obriga o técnico a procurar apoio formando o Governo de Coalizão. 

Logo, fica claro que, para a vitória do time, a atenção ao voto, tanto do Presidente quanto dos Congressistas, é essencial para a boa gestão. Afinal, o que não queremos é um gol contra, ou uma desarticulação no melhor estilo sete a um.