Resenha
sobre uma pequena parte de um grande livro. Do capítulo nove, do livro a Ordem
Mundial, de Kissinger, extrai-se essas particularidades empolgantes e intrigantes.
O fator Humano.
Desde
a primeira revolução industrial, a relação entre as criações das imaginações do
Homem e ele próprio mudaram a passos cada vez mais largos. A Filosofia há muito
procura responder de qual essência se diz ao definir esse sujeito, esse agente transformador.
Longe da resolução final da questão, poderíamos usar a definição apresentada
pelo próprio Kissinger.
“Rastrearam a
evolução da sociedade por fatores que tinham sido “semeados na natureza humana”:
a capacidade de raciocinar de cada indivíduo, uma aptidão poderosa, ainda que
passível de erros, e seu inerente “amor-próprio”, de cuja interação “diferentes
opiniões virão a ser formadas”; e a diversidade das capacidades humanas, da
qual “resulta imediatamente a posse de diferentes graus e tipos de propriedade”
e com elas uma “divisão da sociedade em diferentes interesses e partidos”.
(KISSINGER, 2015)
A construção
conceitual exposta extrai várias características que podem até não resumir e determinar
a essência da Humanidade, mas explicita as suas características fundamentais: a
capacidade intelectual, com um cérebro possuidor de mais neurônios do que
estrelas na Via Láctea; o egoísmo próprio do Ser Humano, que, ao interagir
com o Mundo, gera opiniões mutantes; a capacidade de adaptação transformadora,
essa força motriz de transformação do espaço; e, por fim, os interesses. Cada característica
exposta possui papel fundamental na vida política de uma sociedade. Toda
relação é política, que surge pelo interesse, cujo objetivo surge do egoísmo.
A
conclusão por essas características surgiu de um mundo diferente do atual. A
realidade anterior não é mais a dada, essa atual, a presente a nossa volta. O
filtro que antes era analógico, virou digital, a qual não aprendemos a lidar,
pois a nossa consciência ainda se encontra programada no nível da realidade
falida. Há, portanto, uma dissonância cognitiva, uma convulsão, não apenas
cultural, mas também do entendimento do que é real.
Um novo
curso se apresenta, com vantagens e desvantagens. Apesar disso, para liderar a
transformação em direção a algo que não se identifica, nem temos consciência do
que seja, nem nunca estivemos, precisamos entender o lugar em que nos encontramos
para, assim, não projetarmos no futuro algo arraigado, familiarizado. Nesse
caso, a chave para o sucesso é a Sabedoria.
Em que
lugar entra a tecnologia do século 21? A força da internet é no factual, no
real, nos valores já existentes, formulados pelo consenso e não pela Sabedoria.
Todo o conhecimento, tanto histórico, quanto geográfico, até matemático, não é
mais introspectivo. Nós não mais precisamos pensar, basta-nos acessar.
“A atitude
mental apropriada para trilhar caminhos políticos solitários pode não parecer
óbvia para os que anseiam por confirmação por parte de centenas, às vezes milhares,
de amigos no Facebook”. (KISSINGER, 2015)
Trata-se,
portanto, de uma atitude mental, e ela, meus amigos, pode ser moldada. Muitos,
e o senso comum também, quando enviesado pelo bom senso, dividem o alcance da
mente em três categorias: Informação, Conhecimento e Sabedoria. O foco do mundo
da informação é ela mesma, a Informação. Banalizou-se a informação. Uma procura
rápida já demonstra o que se deseja. Não há atitude mental, a pessoa, nós,
perdemos a atividade, o ato de sentar e pensar introspectivamente. Não há
processo evolutivo da atitude mental enquanto houver comodismo. O excesso
empurra o Conhecimento, afastando ainda mais a Sabedoria.
Com
o excesso e a alta facilidade, o foco no Significado diminuiu. Não há mais
necessidade de confirmação, logo, um viés confirmatório surge. Aquilo que procuro
já é verdade garantida. O resultado é que a manipulação da informação, de como a
recepcionamos, substitui a reflexão, que é o principal meio de se transformar. “A
informação na ponta dos dedos encoraja uma atitude mental adequada a um
pesquisador, mas pode vir a diminuir a atitude mental necessária a um líder”.
(KISSINGER, 2015)
O
Ser Humano ainda é o ponto central de toda e qualquer forma de transformação no
mundo. Precisamos propagar a atitude proativa para uma Sabedoria renascida. Trata-se
da percepção da realidade e do nosso alcance no seu seio. Em tudo, o Ser Humano é responsável pela forma
como conduz sua vida e a do próximo. A internet pode aumentar ou diminuir as
características apresentadas acima, mas o resultado dependerá apenas das
escolhas que fizermos.
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