domingo, 6 de novembro de 2016

De onde vêm os gênios? | Nerdologia 183

O que dá a validez a seu ensinamento é ser ele próprio (O. M. G.) um dos nossos escritores mais seguros, mais eficientes, avesso por natureza e por bom gosto à eloquência oca, à afetação retórica, à exuberância léxica, ao fraseado bonito, em suma, a todos os requintes estilísticos hedonistas e sibaríticos que com mais frequência  falseiam a expressão das ideias do que contribuem para sua fidedignidade. (Comentários à Comunicação em Prosa Moderna de Othon M. Garcia)
 valorização abusiva, que visa uma sedução dos leitores, uma grandiloquência por parte dos escritores, ou seja, qualquer atenção direcionado além do necessário, só causa viés de compreensão.

O pensador escritor transmite à sua obra sua paixão pelo assunto e a eleva ao nível de objeto da investigação, distraindo-o do objetivo científico. O valor passa a ditar a investigação e direciona o entendimento.  O pensador é o admirador que traduz em suas obras sua paixão; enchendo-as de glamour e adereços. Ele é guiado por sua admiração.
Nosso material de estudos é o discurso. O discurso está para nós, filósofos, o que o cálculo está para a matemática. Ele é o nosso meio de investigação e o nosso objeto. Dito isso, conhecer grandes obras literárias é no minimo uma obrigação para compreender melhor a comunicação na nossa língua. Ler João Guimarães Rosa, ou Machado de Assis, passa a ser uma obrigação. E que deliciosa obrigação!
Ariano Suassuna, em uma de suas palestras, disse: se eu chamo Chimbinha de gênio, o que vou usar para falar de Beethoven? 
Transmitir conteúdo por meio da língua é uma tarefa problemática, mas necessária. Transmitir livre de paixões? Ah! Isso é uma outra história.