quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Eis minha fala

“Mas parece não restar dúvida de que, dispondo de palavras suficientes e adequadas à expressão do pensamento de maneira clara, fiel e precisa, estamos em melhores condições de assimilar conceitos, de refletir, de escolher, de julgar, do que outros cujo acervo léxico seja insuficiente ou medíocre para a tarefa vital da comunicação”.

De maneira intencional, escolhi duas palavras dessa passagem para discorrer a respeito “comunicação e pensamento”.

Comunicar um pensamento claramente não é tão fácil quanto se faz parecer de início. Um fator importantíssimo para passar informação é tê-la bem formulada na mente. É ter uma ideia que seja clara e precisa. E de novo, não é tão simples quanto parece. Para comunicar “algo”, acredito que sejam necessárias algumas etapas: 1) ter uma ideia ou pensamento a ser exibido; 2) organizá-la apropriadamente e claramente; 3) ter conhecimento suficiente de ferramentas para a demonstração.

Ter uma boa ideia é um processo dispendioso de energia e paciência. Debruçar-se sobre ela para análise crítica é no mínimo obrigatório. Mas, o que faz surgir uma ideia? Como evoluí-la? Melhorá-la?

A própria clareza de ideias está intimamente relacionada com a clareza e a precisão das expressões que as traduzem.

É preciso conhecer o significado das palavras que serão transformadas em informação. Mas a comunicação tem obstáculos difíceis de superar. Selecionando as mais importantes, as mais subjetivas, tem-se a “percepção seletiva e os aspectos emocionais”. Seleciono essas por considerá-las as mais traiçoeiras.


Percepção seletiva é escolher como perceber e observar, ou não, alguma informação a qual presencio. Aspectos emocionais é deturbar a informação, adequá-la a minha conveniência emocional. O resultado disso é ignorância informativa disfarçada. 

Pensamento e expressão são interdependentes, tanto é certo que as palavras são o revestimento das ideias e que, sem elas, e praticamente impossível pensar.

Não pensamos diferente das palavras que conhecemos. Quando pensamos o fazemos com palavras e o que elas significam e na língua que conhecemos.

A mente é regulada a partir de palavras. Nosso modo de ver tudo em volta, hábitos, relações, emoções; tudo advém da nossa percepção do mundo. E esta é regida, explicando de maneira rústica, pela “palavra”. Quanto mais vocabulários conhecemos, quanto mais relações sintáticas e semânticas percebemos, mais alargamos nossa mente.

Embora, uma coisa deva ser explicada: ler não é só reconhecer informações, mas também ter uma relação empática com o objeto a ser lido e crítica também. Quando ler um romance se envolva. Busque a emoção que o autor está tentando transmitir. Empatia é a faculdade de compreender EMOCIONALMENTE algo. Ler não é só “obter”, é também “sentir”.

Portanto, quanto mais variado e ativo é o vocabulário disponível, tanto mais claro, tanto mais profundo e acurado é o processo mental da reflexão. Reciprocamente, quanto mais escasso e impreciso, tanto mais dependentes estamos do grunhido, do grito ou do gesto, formas rudimentares de comunicação capazes de traduzir apenas expansões instintivas dos primitivos, dos infantes e... dos irracionais.

E o resultado disso é uma liberdade moral, intelectual e espiritual.

...pois é sabido que o comando da língua falada ou escrita pressupõe o assenhoreamento de suas estruturas frasais combinando com a capacidade de discernir, discriminar e estabelecer relações lógicas, de forma que as palavras não apenas veiculem ideias ou sentimentos, mas reflitam também a própria atitude mental.

Uma atitude mental coerente, construída com ferramentas semântica-lógicas bem interligadas e estruturadas, acaba por refletir na atitude moral do sujeito pensante. É incrível que exista preconceito, ignorância e ódio em indivíduos estudados – digo estudados, porque pessoas assim não são esclarecidas – e o motivo disso é uma atitude mental, um “castelo” da consciência, construída com “tijolos” podres e desvirtuosos. Não existe segredo quando se fala em “igualdade” ou “ame ao próximo”, mas pessoas que não compreendem realmente, no fundo de suas consciências o real significado disso acabam moldando falácias a seu favor, e o resultado: atitudes imorais carregadas com justificativas.

A cura para a ignorância me parece simples: uma atitude mental “limpa” somada a empatia.

Só através da leitura e da redação é que se pode construir vocabulário vivo e atuante, incorporado aos hábitos linguísticos.

... o melhor processo para a aquisição de vocabulário é aquele que parte de uma experiência real e não apenas simulada, pois só ela permite assimilar satisfatoriamente conceitos e ideias que traduzam impressões vivas. É inútil ou, pelo menos improfícuo tentarmos traduzir impressões ou juízos que a experiência, lato sensu, não nos proporcionou.

Justiça! Amor! Igualdade! Democracia! Respeito! -  gritos de guerra da nossa geração midiática. No entanto, alguns tem mais igualdade, respeito e direito do que outros. A polarização, a ignorância e o imediatismo destroem quaisquer benefícios que nossa liberdade nos traz. Esqueceram-se do meio termo. Só existe preto e branco. Ridículo.

Absorva o que é defendido. Viva e sinta o que é dito. Imagine-se com o pensamento do outro. Procure compreender o por que dele pensar assim. Qual a lógica, ou falta dela, que o guia. A ignorância está virando o mal da nova geração. Ignorância informativa, onde pesquisa-se pouco, aprende-se nada, mas sabe-se tudo. O mal deve ser combatido com bom-senso, e acredite, o senso-comum está ganhando.

O mal dos justos é não saber atirar. - Westworld


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